terça-feira, 11 de março de 2014

Vigiar


A desatenção, a incapacidade para compreender o que se passa no íntimo de nós mesmos, a pressa e a superficialidade com que enfrentamos a vida, tudo isto é contra a "vigilância" a que nos apela o Evangelho. O significa, o facto, de vigiar? Quer dizer prestar atenção ao que acontece na história. Na história que nos é alheia, a dos "grandes" e a das pessoas que todos os dias cruzamos no nosso caminho. Na historia que conhecemos, a que se passa dentro dos nossos corações, as emoções, os desejos, os movimentos do nosso espirito. Diz o Evangelho que é do nosso coração do homem que saem as coisas mais horríveis, mas também que é do nosso coração que o um escriva, tornado discípulo do Reino, pode extrair coisas muito bonitas. Mas tudo isto não acontece, isto é, não pode existir purificação e doação sincera e profunda, se faltar a verdadeira e autêntica vigilância. "Vigiem porque não sabem... para não caírem em tentação..." Demos espaço no nosso coração a esta "atenção consciente" e viveremos melhor a nossa humanidade.

domingo, 9 de março de 2014

S. João de Deus. O Santo que inspirou a minha vida.

Ontem sábado dia 8 de Março.
"É pelo fruto que se conhece a árvore." Mt 12,33b O Santo de hoje é muito conhecido, sobretudo no mundo português. É São João de Deus, português, nascido em Montemor-o-Novo (1495) e falecido em Granada (Espanha, a 8 de Março de 1550). De seu nome João Cidade conta-se que, tendo transportado aos ombros um menino andrajoso que com dificuldade se deslocava, este lhe mostrou uma granada ou romã, com uma representação da Santa Cruz e, referindo-se à cidade espanhola com esse nome, lhe disse: "Granada será a tua Cruz". A seguir desapareceu. A primeira parte da vida deste santo foi marcada por aventuras, algumas até curiosas. Abandonou a casa paterna aos oito anos. Fez-se soldado. Trabalhou em hospitais, como simples servente. Foi criado e comerciante. Manteve um pequeno negócio de livros. Ouvindo um sermão de São João d' Ávila sentiu-se tocado. Desfez-se de todos os seus bens. Reuniu esmolas e foi cuidar de doentes, especialmente dos loucos e dos incuráveis. Entre eles, como ele próprio conta, havia paralíticos, leprosos e até mudos. "Nas horas difíceis - dizia João de Deus - é Jesus Cristo quem provê tudo e dá de comer aos meus queridos doentes". Mantinha ele mais de oitenta hospitais, que fundara só em Espanha. Por isso, tornou-se também o Fundador dos Irmãos dos Enfermos. E foi declarado patrono dos hospitais por Leão XIII.
Pai, estou certo de que, mesmo sendo pecador, sou amado por ti, e posso contar com a tua solidariedade, que me descortina a misericórdia e a justiça como jeito novo de ser.

quinta-feira, 6 de março de 2014

Oração perseverante, humilde e audaz.


Cristo é a salvação e a esperança para cada homem. Nós estamos chamados a anunciá-Lo com a nossa existência diária; devemos ser “sal” e “luz” para os homens e as mulheres de hoje; com a nossa vida exemplar devemos reflectir a luz de Cristo e ser “fermento” de esperança para a humanidade; devemos ser luz e conforto para cada pessoa que encontremos no nosso caminho. Mas é impossível amar como Cristo amou, se Ele mesmo não ama em nós; é impossível seguir Cristo Jesus, se Ele mesmo não vier viver dentro de nós; comunicando-nos o Espírito Santo, Ele entra na nossa existência e vive connosco, a tal ponto que cada cristão possa dizer com S. Paulo: “Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim” (Gal 2, 20). E isto não é possível sem oração; a salvação é obra da graça de Deus, e esta não se consegue sem oração: “Se Deus não edifica a casa, em vão trabalham os que a edificam; se Deus não guarda a cidade, em vão a guardam as sentinelas” (Salmo 126, 1).

segunda-feira, 3 de março de 2014

Devemos fazer sempre o que pede o coração.


«Faz o que te pede o coração»! É a resposta de Natã ao Rei David. O rei, pastor e poeta, desassossegado com o desconforto de Deus, sonha um casa para o Senhor. Projeta construir um espaço, encontrar um lugar digno, onde o seu Deus possa habitar e permanecer. A tenda, morada itinerante, parecia-lhe desajustada à condição forte do Todo-Poderoso. Mas Deus parece desconcertar David, nos seus bons intentos. Parece mesmo preferir a condição peregrina da Tenda à estrutura pesada do Templo. Talvez a indicar a David, que não há lugar que a prenda, não há espaço que o limite, não há também para Ele morada permanente... Ou talvez, nesta recusa de Deus em se deixar enclausurar dentro de quatro paredes, o Senhor sugira a David que outra é a morada da sua preferência, outro o seu habitat natural, outro o seu espaço vital. «Faz o que te pede o coração» poderá indiciar outra resposta: faz o que queres, mas fá-lo em teu coração. Sim. É o coração do Homem a morada de Deus, o seu espaço mais recôndito.

Será THEOS o mesmo que ABBA


Theos – significando Deus, o mostrar da vida íntima de Deus. O Novo Testamento grego usa esta expressão singular da palavra Deus, que algumas vezes aparece no plural (ho Theoi). O plural é usado para o hebraico “Elohim” ou o aramaico "Elahin", que é usado várias vezes no Antigo e Novo Testamentos para indicar os diferentes níveis de divindade experimental nos outros reinos, subordinados ao verdadeiro Deus (YHWH). No livro de Daniel, a palavra plural para Deus é usada treze vezes (Daniel 2:47). Jesus fala aos seus ouvintes em João 10:34,35, "Eu disse: Vós sois deuses", sugerindo que os santos são deuses embrionários. Embora geralmente se utilize a forma singular, ela é normalmente expandida com expressões tais como [Ho] Theos [Ho] Aiônios — o Deus Eterno, e Ho Theos Ho Hypsistos — o Deus Altíssimo. Abbá – “Abbá” significa “Pai” em hebraico. “Abbá, Pai, tudo te é possível; afasta de mim este cálice! Mas não se faça o que Eu quero, e sim o que Tu queres.” (Mc 14, 36) Jesus revelou que Deus é “Pai” num sentido inédito: não o é somente enquanto Criador: é Pai eternamente em relação ao seu Filho único, o qual, eternamente, só é Filho em relação ao Pai. “Vós não recebestes um Espírito de escravos para recair no medo, mas recebestes um Espírito de filhos adoptivos, por meio do qual clamamos: Abbá! Pai!” (Rom 8,15) Theos revela-nos a divindade – Abbá revela-nos a proximidade, o relacionamento dos homens com Deus, somos filhos de Deus. Só S. Marcos nos conserva na própria língua original a exclamação filial de Jesus ao Pai: “Abbá ” que é o nome com que os filhos se dirigem intimamente a seus pais, uma confiança filial semelhante é a que há-de ter todo o cristão na sua vida, e de modo especial na oração.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

A Poda

Po
daram as vinhas
Só deixaram algumas varas agarradas as cepas. As vides foram todas queimadas.
As videiras parecem mortas.
Despidas feias para serem admiradas.
Mas, das feridas dos cortes, começarão a romper daqui a alguns dias, os primeiros rebentos.
É a vida que recomeça. Mais exuberante e mais bonita que antes.
Aquelas videiras estavam vivas e aquela pode deu-lhe mais vigor.
Assim se passa connosco.
Se estamos vivos, as podas só podem renovar e provocar o nascimento de novos frutos.
Mesmo se muitos cortes sangram e parecem morrer, se estivermos vivos, voltaremos a florir como nunca na nossa relação com Jesus.
Se estivermos vivos...
"Senhor corta os ramos certos... E sê Tu o médico das minhas feridas e o dador da vida nova.
Senhor, Tu que sabes, poda..."

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Vazio por Amor

Todos os dias encontramos pessoas que nos acompanham no caminho da vida.  Algumas são conhecidas, outras nem por isso.
Histórias encontradas e que ficaram impressas no meu coração.
A gente não passa por mim anónima; não consigo fingir e dizer que não a conheci no íntimo do meu coração.
No entanto, o Senhor pede- nos que não tenhamos"recordações e pensamentos negativos" depois de um encontro.
Pede o corte e o vazio, para poder vê-lo unicamente nas almas mais próximas.
Saber ver em cada irmão um "Cristo fervoroso" é desejar que Cristo cresça nele em sabedoria, idade e graça.
Está é a pureza interior com que o Senhor nos convida a viver: que vejamos em cada rosto aquele de um Filho. E basta.
Só então crescerá uma unidade total e autêntica com os irmãos que encontramos todos os dias.

Santo do dia

São PorfírioNascido do ano de 353 em Tessalônica da Macedônia, Porfírio foi muito bem formado pelos seus pais, numa busca de piedade e vontade de Deus. Com 25 anos foi para o Egito, onde viveu a austeridade. Depois, seguiu para a Palestina, vivendo como eremita por 5 anos. Devido a uma enfermidade seguiu para Jerusalém, onde se tratou.
São Porfírio percebia que faltava algo. Ele tinha herdado uma grande fortuna, e já tendo discípulos – que vendo a ele seguir a Cristo, também quiseram seguir nosso Senhor nos passos dele – ele ordenou que esses discípulos fossem para Tessalônica e vendessem todos os bens. Ele então, pôde dar tudo aos pobres.
Ele estava muito doente, mas através de uma visão, o Senhor o curou. Mais tarde, passou a trabalhar para ganhar o ‘pão de cada dia’, sempre confiando na Divina Providência.
O Patriarca de Jerusalém o ordenou sacerdote, e depois Bispo em Gaza, tendo grande influência politica e na religiosidade de todo o povo. Por meio do Espírito Santo e das autoridades, conseguiu que os templos pagãos fossem fechados, e os ídolos destruídos. Não para acabar com a religiosidade, mas para apontar a verdadeira religião: Nosso Senhor Jesus Cristo, único Senhor e Salvador.
Faleceu no século V, deixando-nos esse testemunho: nossa fé, nossa caridade, precisam ter uma ressonância dentro e fora da Igreja, para a glória de Deus e Salvação de todas as pessoas.
São Porfírio, rogai por nós!

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Correr A Amar

Correr.
Correr sem parar percorrendo a estrada do amor.
Ter mo coração a ânsia e o desejo de amar o próximo.
Correr e amar.
Pôr-se a servir, sem esperar pelo momento mais oportuno ou pela melhor atitude interior. Só existe o momento presente para amar.
O que acontece antes é protagonizado pela misericórdia de Deus. O que acontece depois, é-o pela Sua Providência.
De nada serve ter amado durante anos a fio se não se ama aqui e agora.
E não há desculpas para não amar, nem em nós, nem no nosso irmão.
Recorde-se que "que Deus ama quem dá com alegria". Tudo o que não é vivido e dado com alegria, é feito com constrangimento, contra vontade, sem coração.
A alegria é a medida do amor.
Não esperamos mais tempo para viver assim.