quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Para meditar

Na reflexão teológica contemporânea é frequente fazer-se uma aproximação de Jesus de Nazaré, considerando-o uma figura histórica especial, finita e reveladora do divino de modo não exclusivo, mas complementar a outras presenças reveladoras e salvíficas. O Infinito, o Absoluto, o Mistério último de Deus manifestar-se-ia assim à humanidade de muitas formas e em muitas figuras históricas: Jesus de Nazaré seria uma delas. Mais concretamente, seria para alguns um dos tantos vultos que o Logos teria assumido no decorrer dos tempos para comunicar em termos de salvação com a humanidade.
Além disso, para justificar, de um lado, a universalidade da salvação cristã e, do outro, o facto do pluralismo religioso, há quem proponha uma economia do Verbo eterno, válida também fora da Igreja e sem relação com ela, e uma economia do Verbo Encarnado. A primeira teria um plus-valor de universalidade em relação à segunda, que seria limitada aos cristãos, se bem que com uma presença de Deus mais plena.

Fiquei contente

Num dia deste ao fim da tarde foi dar um passeio, pensar um pouco, meditar falar com Deus, como gosto de fazer muitas vezes.
Nesse meu passeio tive um prazer enorme de cumprimentar duas pessoas amigas que já não estava com elas à muito tempo, como foi bom sentir novamente o carinho de amigos que não via, o meu coração encheu-se de alegria e recordações.
Obrigado Senhor pelos amigos que me deste

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Como se articula a divindade e a humanidade em Jesus

Primeiro Concílio de Niceia, em 325. Este Concílio defende a divindade de Jesus contra Ario que tem dificuldade em reconhecer a divindade. É a etapa da conquista dogmática da divindade de Jesus.
Primeiro Concílio de Constantinopla, em 381, em que afirma a consubstancialidade com o Pai. Concentra-se na humanidade de Jesus. Jesus é connosco.
Concílio de Éfeso, em 431, onde se defende a união hipostática. A identidade ontológica de Jesus. Jesus e o Pai são um e o mesmo. O Concílio de Calcedónia, em 451, conquista a dualidade: definição das duas naturezas.
A en-hipostasia. Interpretação de Calcedónia nos dois Concílios seguintes até ao Terceiro de Constantinopla, em 681.
Hipóstase significa, enquanto existência completa, concreta, independente e subsistente.
Na-hipóstase significa situação de carência de personalidade. Jesus humano sem natureza. En-hipóstase indica interioridade. A pessoa humana é personalizada pela pessoa divina. Significa potenciação da pessoa humana.
As três grandes afirmações:
Jesus é verdadeiro Deus e verdadeiro homem.
Consubstancial ao Pai e a nós mesmos.
Perfeito Deus e perfeito homem.
Há que reconhecer a divindade de Jesus desde a sua plena condição humana, vinculando-a ao seu viver, à Cruz e à Ressurreição.
Deus assume um rosto na pessoa de Jesus. E este rosto é o de um judeu no qual se realiza a vocação do povo de Israel. Todas as nações são chamadas a reconhecer n’Ele a imagem do Deus invisível. Como poderemos admitir um tal paradoxo? Que o Deus invisível, fonte e fim de todas as coisas, Se mostre neste homem de uma forma imediata, neste homem que viveu e morreu durante o governo de Pôncio Pilatos, este é, de facto, o verdadeiro escândalo para os Judeus; eis o que não podia deixar de ser, para os Gregos, uma loucura. Para o cristão, porém, é um mistério que é preciso acolher.
É preciso confessar e viver profundamente a fé, não de uma forma supérflua, mas profunda: o que sabe de profundidade, sabe de Deus.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Confiar

" Feliz aquela que acreditou"
São as palavras que Isabel disse a Maria.
Mas Maria acreditou em quê?
A expriencia daquela gravidez fora do normal e contra a lei da época não foi simples.
Correu o risco de ser apedrejada até à morte. E tudo em nome da vontade de Deus.
Maria aceitou esta dúvida, correu o risco da fé.
Ela soube dizer Sim perante a incerteza, perante uma fé que lhe manifestava o seu lado mais misterioso. Também nos pode acontecer deixarmos de ver com clareza depois de termos feito aquilo que nos parecia certo, e de ficarmos na dúvida.
A fé parece-nos um risco inútil demasiado perigoso.
Aliás, acreditar pode exigir-nos que deixemos as coisas e as pessoas de quem mais gostamos.
É então que Maria, qual irmã que percorre o nosso caminho, se aproximade nós e sustém-nos nas nossas dúvidas.
E com ela também nós podemos repetir o nosso " sim" à vontade de Deus.
E aparecerá uma nova Isabel no nosso caminho que nos dirá as mesmas palavras:
"Feliz és tu, porque acreditaste"

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

A ESPERANÇA CRISTÃ – o que é e em que se fundamenta

A esperança é o motor da vida de qualquer ser humano, uma vez que este está constitutivamente aberto ao futuro! A esperança cristã é o motor de vida de qualquer cristão, de qualquer ser humano que foi baptizado no Mistério Pascal de Jesus Cristo. Aliás, diz Agostinho ”só a esperança nos torna propriamente cristãos” (Civ. Dei, 6,9,5), sim a esperança é um modo de vida cristão.
Em que consiste essa esperança? Em Cristo Ressuscitado, realização plena do homem e da história!
Qual o fundamento dessa esperança? Cristo Ressuscitado, Alfa e Ómega da criação, da história, do homem!
De facto, a tese fundamental do todo o manual é a promessa de Deus como proposta de cumprimento às ânsias eternas do homem e onde este encontra a sua realização plena.
A Revelação mostra-nos esta esperança como força histórica, mas que vai mais além da história. Paulatinamente apresenta-nos uma escatologia progressiva na qual é possível reconstruir as etapas de um caminho onde se vislumbra, cada vez com maior nitidez, a convicção de que o verdadeiro objecto da esperança é o mesmo Deus, e na “plenitude dos tempos” (GI 4,4) faz coincidir a encarnar esta esperança com Jesus Cristo, morto e ressuscitado!
Na verdade é a Sua ressurreição que garante, não só o cumprimento das profundas aspirações do nosso coração, mas, mais do que isso, que as transcende, Superando os limites conaturais à existência terrena.
Este cumprimento não afecta apenas a dimensão individual da pessoa (entendida como unidade entre alma/corpo/espírito, de acordo com a antropologia bíblica), mas também a social e a cósmica, e assinala-nos o mundo futuro como Páscoa da Criação.
Sim a esperança cristã faz coincidir a meta dos indivíduos com a da humanidade inteira, é simultaneamente pessoal e universal e envolve todo o cosmos . O futuro que promete a esperança cristã abarca, assim, a criação inteira. (Cf.Rom 8,19-23)
A fé em Cristo ressuscitado, primícia da nova criação, outorga-nos uma esperança que longe de negar a criação, procura renová-la a partir do seu interior. Dita esperança fecunda a criação e a história levando à plenitude o que nelas é ainda promessa. O futuro representado por Cristo ómega, que polariza o acontecer cósmico e humano, não conduz, portanto, a evadir-se da história e a descuidar o compromisso temporal, mas indica o telos, o fim a que dito compromisso deve tender para a realização do reino de Deus, confere sentido ao compromisso do crente pra a transformação do mundo na direcção do reino, na construção de um reino de justiça, de paz de liberdade humana.
Cristo é a esperança da Igreja para o mundo, uma esperança que polariza a vida, que é um caminho a percorrer com o espírito das bem-aventuranças, um caminho, sem esquecer a meta. Uma esperança que dá sentido à história, uma esperança que urge ao compromisso terreno. Sim, é Jesus Cristo quem, com a Sua morte e ressurreição antecipa a meta da história e sustém o caminhar do homem até ao seu cumprimento!
Ao contrário das esperanças seculares, a esperança cristã, que se apoia, no mistério da morte da ressurreição de Cristo, apresenta-se justamente como vitória sobre a morte – creio na Ressurreição da carne! A fé em Cristo crucificado e ressuscitado é a única que nos permite conservar a esperança inclusive diante dos fracassos históricos, inclusive diante da morte e que nos leva a manter o compromisso por um mundo melhor, apesar dos aparentes fracassos.
Esta questão é importante, pois cada crente é chamado a «a dar razões da sua esperança» e o que eu posso esperar não é consequência do que posso saber e do que devo fazer, mas provém daquele centro que é o eixo vitalizador da história, que a transcende, mas que realiza nela, já, os actos de amor transformante que me possibilitam esperar plenitude do ainda não realizada na história .
Não se trata de uma utopia. A minha esperança tem um nome concreto: Jesus Cristo. É a Palavra activa de Deus, que se fez carne em Jesus Cristo, na Sua morte – Ressurreição – Pentecostes. Espero Alguém que já veio ao encontro dos homens e os convidou ao encontro da comunhão; creio na fidelidade da Sua Palavra e na qualidade salvífica do Seu amor que «deu a vida por nós». “Espero a vida de comunhão com Ele e n’Ele, vida santificante e transformante, vida da graça, da qual a fé, a caridade e a esperança é o seu lado consciente”. (H.U.Balthasar)
Tenho consciência de que Ele é a consumação do homem e do mundo, é o fim da história, a Parusia, o Reino de Deus, o Paraíso, a Plenitude.
Plenitude esta que é a fonte dinamizadora da história, da acção de uma acção que nem sempre é harmónica, entre o querer salvífico da infinita liberdade divina e o querer da infinita possibilidade da liberdade humana, uma vez que nem sempre estamos dispostos a fazer o bem e a viver o amor onde se pode realizar.
Contudo, acredito também que o amor divino e só ele, nos baptizou na morte e Ressurreição do Filho de Deus nos dará discernimento e força para, coerentemente com a fé cristã, vivermos, no quotidiano, a esperança no triunfo de Cristo sobre o mal e a consumação do homem e do mundo, no Deus que será tudo em todos (Cor 15,28).

I. A esperança cristã, apoiada no mistério pascal remete-nos a uma salvação, que é a vitória sobre a morte

A esperança cristã, apoiada no mistério pascal remete-nos a uma salvação, que é a vitória sobre a morte. Paraíso, céu e vida eterna são termos que expressam a dita salvação, entendida como a realização do ser humano em Cristo. Quando o sujeito humano, livremente, recusa a salvação, oferecida em Cristo, abre-se a possibilidade da condenação eterna. A Igreja ensina que depois desta vida a pessoa entra em comunhão com Deus, por meio da graça misericordiosa do purgatório.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

S. Lucas Médico Evangelista


O dia 18 de outubro foi escolhido como "dia dos médicos" por ser o dia consagrado pela Igreja a São Lucas. Como se sabe, Lucas foi um dos quatro evangelistas do Novo Testamento. Seu evangelho é o terceiro em ordem cronológica; os dois que o precederam foram escritos pelos apóstolos Mateus e Marcos.

Lucas não conviveu pessoalmente com Jesus e por isso a sua narrativa é baseada em depoimentos de pessoas que testemunharam a vida e a morte de Jesus. Além do evangelho, é autor do "Ato dos Apóstolos", que complementa o evangelho.

Segundo a tradição, São. Lucas era médico, além de pintor, músico e historiador, e teria estudado medicina em Antióquia. Possuindo maior cultura que os outros evangelistas, seu evangelho utiliza uma linguagem mais aprimorada que a dos outros evangelistas, o que revela seu perfeito domínio do idioma grego.

São Lucas não era hebreu e sim gentio, como era chamado todo aquele que não professava a religião judaica. Não há dados precisos sobre a vida de S. Lucas. Segundo a tradição era natural de Antióquia, cidade situada em território hoje pertencente à Síria e que, na época, era um dos mais importantes centros da civilização helênica na Ásia Menor. Viveu no século I d.C., desconhecendo-se a data do seu nascimento, assim como de sua morte.

Há incerteza, igualmente, sobre as circunstâncias de sua morte; segundo alguns teria sido martirizado, vítima da perseguição dos romanos ao cristianismo; segundo outros morreu de morte natural em idade avançada. Tampouco se sabe ao certo onde foi sepultado e onde repousam seus restos mortais. Na versão mais provável e aceita pela Igreja Católica, seus despojos encontram-se em Pádua, na Itália, onde há um jazigo com o seu nome, que é visitado pelos peregrinos.

sábado, 15 de outubro de 2011

Em mês Missionario, uma breve abordagem a Encíclica Redemptoris Missio

Espiritualidade Missionária na Encíclica Redemptoris missio
Ser guiado pelo Espírito
A palavra "espiritualidade" encontra seu sentido mais amplo, quando relacionada com a palavra "espírito" que é a sua raiz, a espiritualidade vem do espírito.

Íntima comunhão com Cristo, testemunho pessoal e comunitário, o amor da Igreja, empenhada em servir o Reino são realidades que é falada na encíclica Redemptoris Missio e eles têm a ver com espiritualidade. Eles lidam com o Espírito, que é o agente principal da missão, a inspiração de toda a vida cristã verdadeira, toda a vida missionária comprometida.

Só o Espírito pode fazer para nós, como os Apóstolos "testemunhas corajosas de Cristo e anunciadores esclarecidos da Sua Palavra, Ele nos conduzirá através dos caminhos ásperos e nova missão" (n. 87).

Espiritualidade específica
A espiritualidade missionária exige uma espiritualidade específica, particularmente necessário ter vocação missionária adequada, mas não limitados a eles.

As motivações necessidade missionária para enfrentar o profundo compromisso radical, a incerteza, a rejeição frequente, falta de frutos apostólicos, etc

Somente uma profunda espiritualidade vai ajudar a manter viva a sua generosidade e entrega eficiente.

A mesma exigência, entretanto, são também todos os cristãos que querem levar a sério o seu compromisso missionário.

Este compromisso de todos os batizados empurra a Redemptoris Missio, como a evangelização do mundo não-cristão está cada vez mais urgente.

A nova era missionária falado do Papa vai se tornar realidade somente se todos os cristãos (e não apenas os missionários) responder com generosidade e santidade às demandas e aos desafios do nosso tempo "(n. 92).

"A vocação universal à santidade está estritamente ligada à universal vocação à missão" (n. 90). "É necessário para inspirar um novo anseio de santidade entre os missionários e toda a comunidade cristã, especialmente entre aqueles que trabalham mais de perto com os missionários" (n. 90).

A igreja não precisa apenas de mais missionários, mas também missionários que vivem uma espiritualidade muito profunda: o compromisso corajoso e zeloso, o amor de Cristo e seu Evangelho querer comê-los conhecido a todos.

Redemptoris missio, não só confirma a necessidade de espiritualidade missionária, mas também indica as linhas mestras da espiritualidade:

• Cristo, o fundamento da missão;
• O Espírito Santo, protagonista da missão;
• A Igreja, administrador da missão;
• A humanidade, o sujeito da missão.